Sunday, March 30, 2008
À PROCURA DA FELICIDADE
(The Pursuit of Happyness, EUA, 2006) Direção: Gabriele Muccino. Com Will Smith, Thandie Newton, Jaden Christopher Syre Smith, Dan Castellaneta, Zuhair Haddad, Brian Howe. Drama, 116 min. HBO 2.
No início do anos 1980, Chris Gardener é um amoroso pai de família que, apesar de todas as dificuldades, luta para sobreviver de forma digna. Ele tenta desesperadamente vender scanners de densidade óssea para consultórios médicos, mas ninguém quer comprá-los. Sua esposa Linda não suporta a pressão financeira e decide ir embora sozinha para Nova York. Gardener, então, se torna um pai solteiro e passa maus bocados para sustentar o filho Christopher - até que consegue um estágio não-remunerado de seis meses, que pode lhe dar a oportunidade para trabalhar em uma grande empresa. O filme, dirigido pelo italiano Muccino, tenta passar a idéia de que os Estados Unidos são a terra das oportunidades para quem sabe procurá-las - e, na vida real, Gardener acabou se tornando milionário. Porém, os fatos - principalmente a recessão atual da economia norte-americana - diluem consideravelmente a credibilidade desta mensagem. Isso não impede que Will Smith entregue neste filme a melhor atuação de sua carreira. Seu filho na vida real, Jaden, surpreende e mostra que está seguindo muito bem os passos do pai.
Nota: 6,5
Saturday, March 29, 2008
O GRANDE TRUQUE
(The Prestige, EUA, 2006) Direção: Christopher Nolan. Com Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Scarlett Johansson, Piper Perabo, Andy Serkis, Robert Arbogast, David Bowie. Drama, 135 min. HBO 2.
Adaptado de um romance de Christopher Priest, O Grande Truque conta a história de dois mágicos, Robert Angier e Alfred Borden, que atuam como aprendizes na Londres do final do século XIX. O primeiro é mais sofisticado e tem completo domínio em se apresentar para o público, enquanto o segundo, apesar de muito talentoso, não apresenta esta característica. Os dois iniciam como parceiros e amigos, mas quando um truque dá terrivelmente errado, se tornam inimigos e obcecados por superarem um ao outro. O filme é tecnicamente primoroso, mas as reviravoltas do roteiro me pareceram pouco convincentes. De qualquer forma, é um interessante trabalho do mesmo diretor de Amnésia e Batman Begins. Também vale pela oportunidade de se ver David Bowie no papel do inventor Nikola Tesla.
Nota: 7,0
DIAMANTE DE SANGUE
(Blood Diamond, EUA, 2006) Direção: Edward Zwick. Com Leonardo DiCaprio, Jennifer Connelly, Djimon Hounsou, Arnold Vosloo, Jimi Mistry, Michael Sheen. Drama, 141 min. HBO 2.
Os destinos de três pessoas se encontram na Serra Leoa de 1999, marcada pelo caos de uma guerra civil que vitima muitas pessoas inocentes. Isso, porém, não faz muita diferença para Danny Archer, um mercenário sul-africano que deseja encontrar um diamante raro para dar um novo rumo à sua vida. Depois de sair da prisão, ele ouve falar de Solomon Vandy, um pescador da tribo Mende que foi separado de sua família e forçado a trabalhar na busca por diamantes. Com a ajuda de Maddy Bowen, uma jornalista norte-americana cujas ações são marcadas por um forte idealismo, eles embarcam numa perigosa jornada. Ainda que o diretor Zwick se esmere ao recriar os conflitos e atrocidades presentes naquele país, não atinge o mesmo impacto de outras produções bem superiores, como Hotel Ruanda e O Jardineiro Fiel. Mesmo assim, é bom saber que há um pouco de preocupação social em algumas produções hoolywoodianas.
Nota: 7,0
Thursday, March 27, 2008
O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA
(The Last King of Scotland, EUA/Inglaterra, 2006) Direção: Kevin MacDonald. Com Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson, Simon McBurney, David Oyelowo, Stephen Rwangyezi. Drama, 123 min. Telecine Premium.
O Último Rei da Escócia não é um filme perfeito, mas funciona à perfeição como veículo para uma impressionante atuação de Forest Whitaker - que lhe valeu, com toda justiça, o Oscar de melhor ator no ano passado. Whitaker interpreta o ditador Idi Amin, responsável por um reino de barbárie e terror em Uganda, nos anos 1970. Credita-se a ele o genocídio de mais de trezentos mil cidadãos deste país. Contudo, o foco principal do filme está na figura do jovem escocês Nicholas Garrigan, que acabou de se formar em medicina e parte para Uganda com o objetivo de ter um pouco de aventura, conhecer mulheres e prestar serviços a um país necessitado. Ao chegar lá, Nicholas recebe a missão de ajudar Amin, que se envolveu em um acidente. O ditador, recém empossado depois de ter dado um golpe no seu antecessor Milton Obote, declara-se um admirador de diversos aspectos da história escocesa e rapidamente se torna amigo do jovem médico, convidando-o para fazer parte do primeiro escalão de seu governo. Garrigan aceita, mas aos poucos, percebe que pode ter tomado uma decisão errada e, com o tempo, acaba reconhecendo a natureza traiçoeira e brutal da personalidade e do governo de Amin. O diretor MacDonald constrói um filme de tensão crescente, mas alguns detalhes do roteiro são discutíveis. O romance entre Garrigan e Kay, uma das esposas do ditador, não convence. Outro pecado é retratar o povo de Uganda de forma passiva, como se não houvesse capacidade de autodeterminação. De qualquer forma, O Último Rei... funciona ao denunciar as atrocidades do regime de Amin. Além disso, é impossível deixar de reconhecer a atuação hipnótica de Whitaker.
Nota: 7,5
Wednesday, March 26, 2008
O LABIRINTO DO FAUNO
(El Laberinto del Fauno, México/Espanha/Argentina/EUA, 2006) Direção: Guillermo del Toro. Com Ivana Baquero, Ariadna Gil, Sergi Lopez, Maribel Verdu, Doug Jones, Manolo Solo, Cesar Vea, Roger Casamajor. Drama/Fantasia/Suspense, 110 min. HBO 2.
O Labirinto do Fauno, sem sombra de dúvida, é uma das melhores obras cinematográficas de 2006, comandada por Guillermo del Toro, um cineasta com pleno conhecimento de seu ofício. A história se passa em 1943, durante a ascensão do regime fascista de Franco na Espanha, e tem como figura central Ofelia, uma solitária menina de 10 anos. Ela acompanha sua mãe grávida em uma viagem até um posto militar próximo às montanhas do norte de Navarra, onde ainda ocorrem combates da Guerra Civil. A mãe de Ofélia está prestes a se casar com o capitão Vidal, um cruel oficial franquista que tenta exterminar os movimentos de resistência daquele local. Em sua nova casa, a menina tem como única amiga a submissa empregada Mercedes. Enquanto o mundo real se torna cada vez mais ameaçador, Ofelia se refugia em um mundo de fantasia e persegue uma libélula que acredita ser uma fada até um labirinto ajardinado. Lá ela encontra um fauno que a proclama como herdeira de um reino mágico, e a incumbe de algumas tarefas para que ela possa reivindicar seus direitos. A garota, então, se vê obrigada a enfrentar monstros reais e imaginários, todos colocando sua vida em risco. É difícil precisar em que aspecto esta fábula triste e sombria impressiona mais. O filme ganhou 3 Oscars: fotografia, direção de arte e maquiagem.
Nota: 9,5
Thursday, March 20, 2008
PEQUENA MISS SUNSHINE
(Little Miss Sunshine, EUA, 2006) Direção: Valerie Faris e Jonathan Dayton. Com Greg Kinnear, Steve Carrell, Toni Collette, Alan Arkin, Abigail Breslin, Paul Dano. Comédia/Drama, 100 min. Telecine Premium.
As coisas andam complicadas para a família Hoover: o pai, Richard, tenta vender um programa de nove passos para o sucesso mas mal consegue esconder o seu próprio fracasso. A mãe, Sheryl é a única que parece mais centrada e tenta segurar as barras de toda a família. O irmão dela, Frank, é um acadêmico especializado em Proust que acaba de sair do hospital após ter tentado o suicídio, já que seu namorado o deixou. O pai de Richard e avô das crianças poderia ser o mais sensato de todos, se não tivesse sido expulso do asilo onde morava por cheirar heroína. Os membros mais jovens da família são Dwayne, um adolescente revoltado com o mundo que passa os dias lendo Nietszche, recusando-se a falar até que consiga ser convocado para a Aeronáutica e, finalmente, a pequena Olive, que é convidada para competir num concurso infantil de beleza na Califórnia. Toda a família embarca em uma Kombi caindo aos pedaços para levar a menina, em uma viagem que mistura momentos cômicos e trágicos de forma certeira e cativante, muito longe dos clichês. O filme ganhou 2 Oscars em 2007: melhor ator coadjuvante (Alan Arkin, soberbo como o avô sem papas na língua) e melhor roteiro original.
Nota: 9,0
OBRIGADO POR FUMAR
(Thank You for Smoking, EUA, 2006) Direção: Jason Reitman. Com Aaron Eckhart, Maria Bello, Cameron Bright, Adam Brody, Sam Elliott, Katie Holmes, Rob Lowe, Robert Duvall, J K Simmons. Comédia, 92 min. Telecine Premium.
Esta ótima comédia dá um tiro certeiro na mania do politicamente correto que assola os Estados Unidos. Baseada no livro homônimo de Christopher Buckley, conta a história de Nick Naylor, um lobista que defende a indústria do cigarro e os direitos dos fumantes, ao mesmo tempo em que escapa das investidas de seus (muitos) inimigos, entre os quais o senador Ortolan Finistirre, impressiona o chefão das indústrias de tabaco, se envolve com uma repórter investigativa e tenta servir de modelo ao seu filho. As cenas de negociação para incluir mais cenas de estrelas fumando em produções hollywoodianas são hilárias, assim como os encontros semanais entre Nick e outros dois lobistas que são seus amigos: uma moça defende a indústria do álcool e um outro rapaz defende as companhias que fabricam armas. No final das contas, o filme faz o seguinte questionamento: quem precisa de chatos ao seu redor falando o tempo inteiro que os cigarros matam, quando todos nós já sabemos disso? Se decidimos fumar, mesmo que depois fiquemos viciados, acima de tudo estamos fazendo uma escolha e somos os principais responsáveis pelo impacto que ela terá nas nossas vidas. A propósito, eu não fumo.
Nota: 8,5
A PROFECIA
(The Omen, EUA, 2006) Direção: John Moore. Com Liev Schreiber, Julia Stiles, Mia Farrow, David Thewlis, Seamus David Fitzpatrick, Pete Postlethwaite. Terror, 105 min. Telecine Premium.
Refilmagem mediana do cult homônimo de 1976, que pouco faz além de repetir a história do filme original: o futuro embaixador dos EUA Robert Thorn adota um bebê em um hospital em Roma, sem o conhecimento de sua esposa Katharine, uma vez que a criança deles morreu no parto. Com a idade de 5 anos, o menino, chamado Damien, começa a desenvolver tendências para o mal que não são compreendidas por seus pais, até que um padre os avisa de que a criança é o filho do demônio. O filme tem qualidades (bons desempenhos de Stiles e Schreiber) e defeitos (má atuação do jovem Fitzpatrick como Damien, que se resume a expressões de enfado) em igual medida e, apesar de justificar uma espiada, está longe de causar o mesmo impacto do original, realizado trinta anos antes. Mia Farrow, como a sra Baylock, babá do garoto, está caricata.
Nota: 5,0