Tuesday, May 20, 2008

 

NO VALE DAS SOMBRAS

(In the Valley of Elah, EUA, 2007) Direção: Paul Haggis. Com Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Jason Patric, Frances Fisher, James Franco, Josh Brolin, Jonathan Tucker, Barry Corbin, Susan Sarandon. Drama, 121 min. Paris Filmes.

Apesar de todo o poderio bélico e econômico que tem (ou tinha?), os Estados Unidos são um país encurralado, que precisa desesperadamente de ajuda. É inevitável chegar a essa conclusão ao se assistir a No Vale das Sombras, dirigido e co-escrito por Paul Haggis (de Crash - No Limite) a partir de uma reportagem de Mark Boal veiculada na revista Playboy. O filme narra a história de Hank Deerfield (Tommy Lee Jones), veterano investigador da polícia militar que, certo dia, recebe um telefonema atestando o desaparecimento do seu filho Mike, um jovem soldado vindo da guerra contra o Iraque. Na tentativa de descobrir o que aconteceu, Hank conta com a ajuda da detetive Emily Sanders (Charlize Theron), que apesar de esforçada, é vítima constante do preconceito de seus colegas homens. A única pista deixada pelo filho de Hank são videos gravados em seu celular, que mostram as incursões do rapaz na guerra. Aos poucos, é revelada uma trágica e perturbadora verdade, tanto para Hank quanto para sua esposa Joan (Susan Sarandon, ótima). O talento de Jones no papel principal nos faz acreditar plenamente na mudança de perspectiva de um homem que inicialmente é um patriota fervoroso (como podemos constatar na frase "Meu filho levou a democracia a um fosso e serviu o seu país") mas depois é obrigado a se despir dos seus valores para encarar as conseqüências de uma guerra sem sentido. A propósito, o vale de Elah, mencionado no título original do filme, teria sido palco da batalha bíblica entre o futuro rei David e o gigante Golias.

Nota: 8,0

Tuesday, May 13, 2008

 

PIRATAS DO CARIBE - NO FIM DO MUNDO

(Pirates of the Caribbean - At World's End, EUA, 2007) Direção: Gore Verbinski. Com Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Geoffrey Rush, Stellan Skarsgard, Bill Nighy, Chow Yun-Fat, Jack Davenport, Jonathan Pryce, Keith Richards. Aventura, 168 min. Disney.

Depois de ser levado pelo monstro Kraken no filme anterior, o capitão Jack Sparrow agora está em um mar de areia, isolado, numa prisão imposta por Davy Jones, o assustador capitão do navio Flying Dutchman. Uma aliança insólita é constituída para resgatá-lo: os jovens Will Turner e Elizabeth Swann se juntam ao ressuscitado capitão Barbossa e iniciam uma missão que vai levá-los dos mares de Singapura, dominados pelo sinistro Sao Feng, até o fim do mundo. Os maiores adversários de nossos heróis, aqui, são a duração excessiva do filme - quase 3 horas - e o roteiro confuso. Porém, a produção esmerada, a impagável interpretação de Johnny Depp e a participação de Keith Richards (em quem Depp declaradamente se inspirou para compor o seu personagem) como o pai de Jack Sparrow fazem com que uma das trilogias mais bem sucedidas do cinema se encerre de forma digna. É preciso reconhecer os esforços do diretor Gore Verbinski, pois até Orlando Bloom está mais convincente do que de costume!

Nota: 7,0

Sunday, May 04, 2008

 

HOMEM-ARANHA 3

(Spider-Man 3, EUA, 2007) Direção: Sam Raimi. Com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, Thomas Haden Church, Topher Grace, James Franco, Dylan Baker, Rosemary Harris, Bryce Dallas Howard, James Cromwell, Theresa Russell, J K Simmons. Ação, 140 min. Columbia.


O amigo da vizinhança está de volta! Porém, não em tão boa forma quanto nos dois primeiros filmes. Os efeitos especiais continuam dando um show, mas o roteiro não é tão bem sucedido ao conciliar os diferentes aspectos da vida de Peter Parker e personagens que adquiriram grande importância nos quadrinhos acabam sendo reduzidos a meros figurantes. É o caso de Gwen Stacy e do seu pai, o capitão Stacy, que simplesmente não dizem a que vieram. Vamos à história: um aparente equilíbrio na vida de Parker, com o reconhecimento de suas ações como Aranha por parte da comunidade e a consolidação de seu relacionamento com Mary Jane, está ameaçado. Nosso herói acaba se tornando arrogante, passando a desprezar as pessoas que mais ama. Para completar, uma substância desconhecida torna seu uniforme negro e amplia seus poderes. Essa substância dará origem a Venom, um dos vilões da vez, juntamente com o marginal Flint Marko - que devido a um acidente se transforma no Homem Areia - e Harry Osborn, filho de Norman Osborn / Duende Verde, que descobriu a identidade secerta do Aranha no filme anterior e acha que ele matou seu pai.
Nota: 6,5

 

ROCKY BALBOA

(EUA, 2006) Direção: Sylvester Stallone. Com Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Antonio Tarver, Geraldine Hughes, Tony Burton, James Francis Kelly III. Drama, 102 min. Telecine Premium.
Eu tinha todos os motivos do mundo para ter receios em relação a este Rocky Balboa. Vi os primeiros filmes da série quando muito jovem, e confesso que não me lembro muito bem deles. O último que lembro de ter assistido - e assumo que foi uma experiência ruim - foi Rocky IV, um expoente máximo da Guerra Fria no campo do esporte, em que os americanos "bonzinhos" representados por Rocky/Stallone davam uma surra nos soviéticos "malvados", representados por Ivan Drago/Dolph Lundgren. Bom, toda essa conversa é para dizer que - pasmem! - gostei de Rocky Balboa. Sério! Acho também que Stallone foi corajoso em "ressuscitar" este personagem num filme dirigido por ele mesmo. O que parecia ser um exemplo de vaidade absoluta me surpreendeu. A história é simples e bem contada: o ex-campeão de pesos pesados é agora um cinqüentão viúvo e dono de um restaurante, que vive contando as glórias passadas aos seus clientes. Sua relação com o filho Robert é meio distante. Até que uma simulação computadorizada de luta com o atual campeão, Mason Dixon, faz com que Balboa decida voltar aos ringues. Muita gente o chama de louco, é claro. Porém, o veterano lutador mostra que a última coisa que pode envelhecer na gente é o coração. O filme, mesmo longe de ser perfeito, é feito com uma sensibilidade marcante e merece ser visto.
Nota: 7,0

 

CONDUTA DE RISCO

(Michael Clayton, EUA, 2007) Direção: Tony Gilroy. Com George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sidney Pollack, Michael O'Keefe, Tom McCarthy, Danielle Skraastad, Jonathan Walker. Suspense, 120 min. Imagem Filmes.

Michael Clayton trabalha em uma das mais poderosas empresas de advocacia corporativa da cidade de Nova York. Chamam-no de "faxineiro" porque ele é especializado em limpar as sujeiras de clientes importantes. O problema é que Michael está falido e frustrado, entre outras coisas porque nunca recebeu um convite para se tornar sócio da empresa onde trabalha há 17 anos. A empresa assume a defesa de uma grande companhia do ramo agrícola, a U/North, designando um de seus advogados mais brilhantes, o veterano Arthur Edens. Porém, Edens sofre o que parece ser um colapso e ameaça sabotar todo o caso, divulgando segredos comprometedores da U/North. Clayton é enviado para evitar um desastre iminente, mas quando percebe que Edens não está completamente maluco, é obrigado a encarar de frente a verdade - o que pode lhe custar a vida. Um ótimo suspense, cujo grande mérito é expor as sujeiras tanto do mundo jurídico quanto do corporativo. Tilda Swinton, magnífica como a toda-poderosa advogada da U/North, Karen Crowder, recebeu com toda justiça o Oscar de melhor atriz coadjuvante neste ano.
Nota: 9,0

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