Saturday, July 19, 2008

 

JUNO

(EUA/Canadá/Hungria, 2007) Direção: Jason Reitman. Com Ellen Page, Jennifer Garner, Michael Cera, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons. Comédia, 92 min.

Francamente não compreendo por que boa parte da crítica caiu de amores por este filme, de modo tão incondicional. É um bom filme, mas não chega a ser a oitava maravilha do mundo. Tem um roteiro legal concebido por Diablo Cody e premiado com um Oscar, que utiliza diversos diálogos ácidos e inspirados, milimetricamente planejados para manter a atenção do espectador. No entanto, é impossível não estranhar a naturalidade com que os pais de Juno (a gracinha ee ótima atriz Ellen Page), uma adolescente de 16 anos, reagem à notícia de sua gravidez. A menina, numa tarde comum, resolveu transar com Bleeker (Michael Cera), seu melhor amigo, e o resultado vai nascer em nove meses. Inicialmente, Juno cogita a hipótese de interromper a gravidez, mas muda de idéia. Porém, como não se sente preparada para ser mãe, aceita a sugestão de sua melhor amiga, a avoada Leah: procurar um casal que esteja disposto a criar o bebê. Logo, aparecem Mark e Vanessa Loring, um casal aparentemente perfeito. Juno, porém, descobre que as coisas podem não ser tão fáceis. Há um bom equilíbrio entre comédia e drama, mas nenhuma qualidade superlativa a ser levada em consideração... exceto Ellen Page. Quem diria que a Kitty Pride de X-Men 3 se sobressairia num papel como este?
Nota: 7,5

 

TROPA DE ELITE

(Brasil, 2007) Direção: José Padilha. Com Wagner Moura, André Ramiro, Maria Ribeiro, Caio Junqueira, Fernanda Machado, Fernanda de Freitas, Fábio Lago, Paulo Vilela. Ação/Policial, 118 min.

O vencedor do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim/2008 é, com certeza, um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos, por vários motivos. O principal, talvez, seja o fato de ter provocado uma polêmica necessária sobre a questão da violência e da segurança pública em nosso país. A história inova porque é contada a partir da perspectiva de um policial que integra o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro. Seu nome: Capitão Nascimento. Desde o início fica claro que o personagem principal não é um herói, e sim, um homem de caráter violento, moldado pela realidade que o cerca, que não hesita em gritar com a própria esposa para dizer quem manda em sua casa. Um anti-herói, ou quase vilão, por assim dizer. Enfim, Nascimento está sofrendo de estresse e não vê a hora de deixar seu posto para se dedicar à família, já que seu primeiro filho vai nascer em breve. Antes disso, ele precisa comandar uma operação no Morro do Turano na tentativa de capturar um traficante barra-pesada. Ao mesmo tempo, deve escolher um substituto entre os honestos aspirantes Neto e Matias. Tudo no filme é mostrado da forma mais realista possível: policiais violentos e corruptos (embora existam exceções, que o filme não se furta em retratar); a omissão das autoridades; a hipocrisia de muitos integrantes da classe média que clamam por paz ao mesmo tempo em que financiam o tráfico comprando cocaína, maconha ou crack. Uma visão muito bem fundamentada das principais mazelas da sociedade brasileira, sem qualquer tipo de concessão. Os quesitos técnicos não deixam a desejar, principalmente os movimentos de câmera, que fazem o espectador se sentir como se realmente estivesse no meio de incursões policiais em uma favela. Quanto às atuações, são excelentes. Impossível não dar o devido destaque ao arrebatador trabalho de Wagner Moura no papel principal.
Nota: 9,5

Thursday, July 17, 2008

 

ELIZABETH - A ERA DE OURO

(Elizabeth: The Golden Age, Inglaterra/França/Alemanha, 2007) Direção: Shekkar Kapur. Com Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Clive Owen, Jordi Molla, Samantha Morton. Drama/Biografia, 114 min. Universal.

Seqüência do ótimo filme Elizabeth, de 1998, que deu o Oscar à excelente atriz Cate Blanchett. O primeiro filme mostrava a trajetória de uma protestante que conseguiu contornar obstáculos quase intransponíveis, principalmente uma oposição católica, para chegar ao poder. Este mistura fatos históricos e alguma ficção, situando-se em 1585, quando Elizabeth já governa a Inglaterra por quase trinta anos. Ela é obrigada a enfrentar uma nova onda de fundamentalismo na figura do rei Felipe da Espanha (interpretado de forma cartunesca por Jordi Molla) -, que tem em suas mãos um exército poderoso, além do apoio da Inquisição. Além disso, o dedicado conselheiro da rainha, Francis Walsingham, descobre um plano para assassiná-la. Esse plano pode ter a participação de Mary Stuart, rainha da Escócia e prima de Elizabeth, que é mantida prisioneira. Como se já não bastasse um quadro político e familiar tão complexo, a soberana não consegue conceber um descendente para o trono e se descobre vulnerável ao nutrir sentimentos especiais (e proibidos) por Walter Raleigh, um nobre que é chamado de pirata pelos espanhóis e que tem fama de aventureiro. Algo impensável para uma rainha comprometida de corpo e alma com seu país. Blanchett, mais uma vez, está luminosa no papel principal. Pena que, apesar de tantos ingredientes em potencial - cenários e fotografia grandiosos, figurino suntuoso (premiado com o Oscar), boas atuações -, este filme não funcione tão bem quanto o primeiro. O culpado, como sempre, é o roteiro, que se concentra em excesso nos dramas pessoais da rainha e deixa de lado o que poderiam ser boas cenas de combates e batalhas.
Nota: 6,5

 

DESEJO E REPARAÇÃO

(Atonement, Inglaterra, 2007) Direção: Joe Wright. Com Keira Knightley, James McAvoy, Romola Garai, Saoirse Ronan, Vanessa Redgrave, Brenda Blethyn, Juno Temple, Alfie Allen. Drama, 130 min.
Em 1935, pouco antes da II Guerra Mundial, os dias na Inglaterra são de muito calor - não apenas em relação ao clima, mas aos acontecimentos que envolvem a família Talles. A jovem Briony, com apenas 13 anos, testemunha o envolvimento de Cecilia, sua irmã mais velha, com o jovem Robbie Turner, filho do caseiro e de uma empregada. Dotada de uma imaginação fértil que logo influirá na sua decisão de se tornar uma escritora, Briony acaba acusando Robbie de um crime que ele não cometeu. Sua atitude vai mudar radicalmente a vida de todos os envolvidos no processo. Baseada no livro homônimo de Ian McEwan, esta história intrigante e bem contada recebeu vários prêmios, entre os quais o Oscar de melhor trilha sonora, dois Globos de Ouro (filme-drama e trilha sonora) e dois Bafta (Filme e Desenho de Produção). O final é surpreendente.
Nota: 8,5

 

ENCANTADA

(Enchanted, EUA, 2007) Direção: Kevin Lima. Com Amy Adams, Patrick Dempsey, James Marsden, Timothy Spall, Rachel Covey, Susan Sarandon, Idina Menzel, Julie Andrews, Michaela Conlin. 108 min. Disney.
Encantada é o legítimo "filme de mulherzinha", mas no frigir dos ovos, até que funciona. A história é banal: a princesa Giselle é expulsa do reino de Andalasia e, por ação de uma bruxa malvada, vai parar na cidade de Nova York. É claro que as pessoas do "mundo real" não acreditam que Giselle seja uma princesa de contos de fadas, e a tratam como se ela tivesse problemas de cabeça. Felizmente, o príncipe encantado, a quem a moça havia jurado amor eterno, não demora para ir atrás dela. Há, porém, um ingrediente a mais nessa história: na tentativa de querer voltar para casa, Gyselle conhece o advogado Robert, que por suprema ironia do destino, não acredita em finais felizes, é divorciado, tem uma filha e lida principalmente com separações. Adivinhem se ela não se apaixonará por ele? Pois é, o filme é previsível até a medula, mas pelo menos tem o mérito de enxergar os contos de fadas (marca registrada da Disney) de uma forma, digamos, mais satírica. Além disso, Amy Adams dá conta do recado direitinho no papel principal. Pena que a ótima Susan Sarandon apareça mais em desenho do que em carne e osso. Conclusão: Encantada é um filme básico, mas divertido.
Nota: 6,5

 

SWEENEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET

(Sweeney Todd, EUA, 2007) Direção: Tim Burton. Com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener, Sacha Baron Cohen. Musical, 117 min. Warner.
Somente a imaginação doentia (no bom sentido) de Tim Burton poderia trazer às telas de cinema um musical da Broadway regado a muito sangue. Sweeney Todd recria a lenda vitoriana de Benjamin Barker, um barbeiro que cai em desgraça por causa da inveja de um juiz malvado, em pleno século XIX. Afastado da esposa e da filha, Barker volta a Londres depois de quinze anos para se vingar. Seus métodos são muito sutis: ele assassina a navalhadas seus desafetos, enquanto a quituteira Ms Lovett aproveita os restos mortais e os transforma em deliciosas tortas que fazem grande sucesso. Os maiores trunfos do filme são a estupenda direção de arte (premiada com o Oscar) e as atuações de praticamente todo o elenco. Johnny Depp, com seu visual à la "Bento Carneiro", não apenas interpreta, mas canta muito bem. Talvez o único problema seja a forma irregular com que ocorrem as transições entre os momentos "falados" e "cantados". Nada, porém, que chegue a estragar o filme em seu conjunto.
Nota: 8,0

 

300

(EUA, 2007) Direção: Zack Snyder. Com Gerard Butler, Lena Headey, Dominic West, David Wenham, Vincent Regan, Michael Fassbender, Tom Wisdom, Andrew Pleavin, Rodrigo Santoro. Ação, 117 min. HBO.
Ótima adaptação da minissérie em quadrinhos escrita por Frank Miller, que recria a célebre batalha das Termópilas. A história, muitos já conhecem: em 480 aC, Leônidas, um dos dois reis espartanos, convoca 300 soldados para resistirem à invasão persa promovida pelo rei Xerxes, que empregou um exército numericamente muito superior. A beleza plástica do filme impressiona, principalmente no que diz respeito aos cenários, todos criados por computação gráfica. Gerard Butler se entrega com fúria ao papel principal, enquanto o brasileiro Rodrigo Santoro não chega a comprometer como Xerxes. O ponto alto do filme, sem dúvida, é a violência das batalhas, mas Snyder ainda adiciona intrigas políticas na figura do ambicioso Théron (Dominic West), que chega a chantagear a rainha Gorgo (Lena Headey, sensualíssima), esposa de Leônidas. Enfim, 300 conferiu ao diretor Zack Snyder, merecidamente, a alcunha de visionário... e em 2009, ele voltará ao cinema com outra adaptação de quadrinhos, igualmente promissora: Watchmen, baseada na obra homônima de Alan Moore e Dave Gibbons.
Nota: 9,0

This page is powered by Blogger. Isn't yours?